quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Há dias assim...



"Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está? 


As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar. Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguem antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar. 
É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução. 
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha. 
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado. 
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar".

Miguel Esteves Cardoso, in Último Volume

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Semana #12

Fazer este exercício de te contar as nossas semanas tem sido muito gratificante. Para além de poder escrever sobre os assuntos de que gosto, consigo passar em retrospetiva todo um conjunto de acontecimentos vividos e sentidos a quatro, maioritariamente! Por isso também tem sido tão importante pensar, ao fim do dia (ainda que muitas vezes não o escreva aqui), no melhor do meu dia! Este foi o último que escrevi...

Esta semana passou a voar! Entre as viagens, as novas rotinas e os horários (ui... sou eu, o padeiro e toda uma estrada de manhã cedinho...) sobra tempo para pouco! A Carolina sente esta mudança de uma forma diferente do Gonçalo... Está a crescer a minha "menina", tem outro entendimento das coisas...

Para já, posso dizer-te que a gente de Águeda é muito boa gente!

Pronto, já relatei esta semana! Ufa! 
Prometo que para a semana será melhor! 

Mais uma coisinha! Já começamos a contagem decrescente para a tua chegada... E não é de uma forma qualquer, é uma contagem com recurso ao chocolate!


sábado, 30 de novembro de 2013

O melhor do meu dia | sentir a vida fluir




Mais uma vez digo, volto a dizer, redigo, penso, sinto, etc. (não gosto de escrever/dizer etc., mas aqui aplica-se mesmo bem): a vida resolve-se sozinha!

O melhor dos meus dias tem sido sentir a vida a fluir, a resolver-se...
O melhor dos meus dias tem sido observar que tudo se encaixa... a pessoa certa na hora certa, a palavra ideal no momento ideal...
O melhor dos meus dias tem sido fechar os olhos e sentir a necessidade imensa de agradecer! Sim, porque tudo o que pedi se concretizou! 





terça-feira, 26 de novembro de 2013

Semana #11

A vida resolve-se sozinha...
Ontem terminei (terminamos) uma etapa, hoje começo outra... 

Meus Deus, eu sei que nada acontece por acaso, esta é a minha filosofia de vida, há algum tempo! Mas, confesso que esta precisão e eficiência do Universo ainda me consegue arrepiar...

Pronto, lá vou fazer alguns (bastantes) quilómetros por dia! Não é a primeira vez...
Não me assusta, eu adoro conduzir e, acima de tudo, gosto do facto de, nesta viagens, conseguir organizar os pensamentos, ouvir boa música e pôr as conversas telefónicas em dia... Depois, a vida resolve-se sozinha, mesmo!

Lamechices à parte, cá vai a reportagem fotográfica desta semana! 
A Carolina entrou na semana de testes, por isso intensifica-se o estudo a duas (três)... Sim, porque o Gonçalo também já diz que estuda história e inglês:) Mas ele ainda tem tempo de pensar nas táticas da sua equipa de futebol e colocá-las no quadro! 
O frio continua e já se sente o cheiro a Natal! Já fizemos a árvore, falta o presépio! 











quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Conversas por cá #4

No carro...

Gonçalo observa que a sua mana entra para o banco da frente... Faz uma cara tão caricata que é indescritível... De seguida, amua! E faz que chora...
- Tu não podes ir aí... Anda para a minha beira!

Em casa...

Carolina está brincar com o Joaquim e com o seu brinquedo novo.
Diz o Gonçalo:
- Deixa isso! És algum cão para mexeres nesse brinquedo?

Na catequese...

Manuel vem ao carro e diz com ar solene:
- Olá, tia! No Natal vou dar-te um presente...
- Que bom, fofinho!
- Sossego... - rematou ele.

E para finalizar, o tempo por cá! Uma amostra desta manhã...



terça-feira, 19 de novembro de 2013

Semana #10


Esta semana foi marcada pelo teu aniversário, coincidente com o dia mundial da prematuridade... Dois dias que me dizem muito, portanto! 
Primeiro tu! Foi diferente ter-te longe no dia do teu aniversário, mas foi muito bom sentir-te bem e feliz! Faz o favor de mandar uma foto dos desenhos e respetivos acompanhamentos, porque eu enviei tudo sem tirar foto antes!

Agora o dia da prematuridade! Engraçado que quando escrevi os dois relatos sobre o nascimento prematuro do Gonçalo não pensei que seria tão abordada e questionada. Foi bom ouvir as pessoas e sentir que apreciaram a minha escrita e o que dela transbordou. As suas palavras e o poder agradecer-lhes foi, sem dúvida, o melhor desse meu dia

Já reparaste que está aqui no blog o selo "o melhor do meu dia", um desafio lançado pela Ana e pela Catarina, bloggers que eu gosto muito de seguir e ler e, ao qual, aderi, sem pensar duas vezes. O objectivo do desafio é este

Este blog está a assumir caminhos nunca antes imaginados por mim... Está a ser tão bom chegar a ti através dele e está a ser maravilhoso poder escrever nele, tal e qual como eu gosto, sem obrigações, sem horas e dias marcados... escrever hoje, amanhã rever, voltar a escrever... apagar, rescrever! Agradeço-te esta oportunidade que me deste!

Adiante! Foi também uma semana especial para a Carolina. Para nós (pais) foi um orgulho, acima de tudo pelo comportamento que tem e pela postura para com os colegas e adultos! Fica aqui registo para a posteridade:)


Créditos da fotografia: tia T.

Mesmo, mesmo antes de publicar este post, Portugal qualifica-se para o mundial, que se realizará no Brasil!!!!!!!!! Golos, claro está, do CR7...

Bora viajar até lá?


Créditos da fotografia: sic notícias



sexta-feira, 15 de novembro de 2013

O melhor do meu dia | dizer obrigada...


Obrigada a todas que dispensaram o seu tempo para me ler... 

Obrigada, também, pelas palavras que me deixaram...

Fui muito abordada a propósito do meu relato sobre o nascimento prematuro do Gonçalo! 
Muitos conhecidos, familiares e amigos, mesmo os mais chegados, nunca tinham ouvido as "coisas" nestes termos... Pus-me a pensar porquê... 
E descobri que efetivamente nós nunca nos lamentámos...

Naqueles quarenta dias o Gonçalo teve cinco visitas: eu, o Nuno, a Carolina (que podia visitá-lo uma vez por semana) e duas familiares que trabalham no hospital... Engraçado que ainda hoje ele tem uma "relação amorosa" inexplicável com a tia L. e com a J. 

Era até difícil conversar com a família e amigos... O nosso tempo e energia positiva (só) eram totalmente dedicados à Carolina e ao Gonçalo... Durante eses 40 dias falámos "pessoalmente" com pouca gente, mas recebemos muitos telefonemas e mensagens. Em ambas as situações transmitimos muito basicamente o que se passava... O gonçalo encontrava-se a recuperar bem! E era verdade, não mentimos! 
Agora, uma coisa que nunca fizemos com ninguém, a não ser um com o outro, e muito poucas vezes, foi conjeturar... Se... Se...Se... Pode acontecer isto... Eu às vezes até pensava, mas logo levava um corte do Nuno e vice-versa...

Passámos os dias no hospital, ouvimos muitas histórias, conversámos com outros pais, começámos a perceber que muita coisa podia acontecer... Mas preferimos nunca sofrer por antecipação! Foi pensado? Não... Simplesmente aconteceu! Felizmente encontramos no nosso caminho pessoas, e uma em especial (ela sabe quem é), que nos ajudou a ver a vida desta forma... 

Assim passamos a entender a vida... 

Desta forma educámos e pretendemos continuar a educar os nossos filhos! 

Valeu a pena!